FRAGMENTOS
Uma mudança dicotômica
Aquilo que de você havia em mim... se foi...
Mas algo ficou?
Um aprendizado que portarei ao fim dos tempos
Você se foi... e no encerramento de mais uma noite daquela estação
Eis que surge um outro eu pela manhã
Ressignificado no toque frio da lembrança
Que abriu a torrente de possibilidades
E que se cristaliza no agora
Não é nada além do que foi visto do vazio
Das mentiras proferidas
E das palavras vagas verbalizadas
Desconexas e despojadas de sentido
Havia algo em mim que se perdeu em você
Pois daquela tempestade a experimentação da vida seguiu seu curso
Onde os fragmentos paulatinamente começaram a pulsar
Consolidando uma nova situação
Compondo um novo sentido
Naquilo que fui um dia
Vá... e não volte mais
Eu já não estou mais aqui
O que o encarceramento me trouxe?
A fugaz vivacidade de que um dia as pétalas de uma flor brilham à luz do Sol
E num outro momento elas definham sob a pálida visão daquilo que você deixou pra trás
Em seu colo tive conforto
Mas em sua ausência voltei a respirar
Assim, de fragmento em fragmento... de pedaço em pedaço
Vamos nos ocupando de nossos afãs
Esperando a liberdade desta valiosa prisão que me tirou de tudo
... e me trouxe tudo...
Como é importante a travessia
Já que não nos cabe muito onde ela nos levará
Mas sim o que carregamos dela
Pois aquilo que é coletado na estrada
Nos traz a crença no fundamento do amanhã
E este brilho... jamais se apagará
Ele tem em seu primórdio, tudo o que foi arrancado mutuamente entre nós
Para todo sempre
Egon Pessoa

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