A ÚLTIMA CHAMA QUE VI
A descida é íngreme Muito íngreme Talvez eu nunca queria ter estado aqui Um passo após o outro Sob este som me aprofundo... Ao fundo Sentido a fina chuva cair O ladrilho está molhado Sendo lavado de suas histórias Assim como meu rosto Que percebe as lembranças escorrendo por entre as lágrimas das nuvens Das nuvens? Galhos de árvores rangem sobre minha cabeça Pendendo com a força do vento Há algo querendo me encontrar Apoio-me firmemente sobre meus pés Mas não posso mais senti-los Na ladeira abaixo vou sendo privado de sensações Num paradoxo de imergir em mim Afastando-me de meu eu Pra onde vou? Não sei ao certo Está escuro Sem orientação Talvez esteja de joelhos Aguardando o último abraço A derradeira fonte de luz Agora eu sei Você foi a última chama que vi... Egon Pessoa