ÓRFÃOS DA NEGLIGÊNCIA
A trilha era muito sinuosa Percorrendo em seixos por entre as montanhas escarpadas De pedras lisas e desnudas de qualquer essência de vida Percorrer aquele caminho Traz à tona o espanto e o vazio do silêncio Que como um manto que cobre todo o corpo Ressoa o frio que o ambiente é capaz de causar À medida que a senda avança Cresce o horror À medida que a senda se vai num declive Cai a temperatura Desconcertante desconforto de uma dor interior Que se verbaliza nas paredes verticais da rocha montanhesca E reverbera um eco ensurdecedor Agonia da ausência do autocuidado A trilha passa num repente a um retilíneo dos incautos Pois traz um encanto Um engano dos tolos Abrindo-se num platô de paisagem fantasmagórica Além de uma névoa turva e espessa Gotículas de sombras se desprendem do chão Ascendendo num movimento lento aos céus de carregadas nuvens tempestuosas Numa dança lúgubre que solapa a respiração Lágrimas escorrem pela face do visitante Que se perdeu de qualquer quinhão de vida qu...