NA MURALHA DA DOR
Não sabia distinguir ao certo Entender ao certo O que era tudo aquilo que estava diante de mim Ao longe ouvia lamentos, num paradoxo de murmúrios gorgolejantes Com gritos ríspidos que ecoavam por todo aquele ambiente escuro Pavorosamente descortinado em um calor avermelhado Insuportável E o temor me paralisava Como vim parar aqui? Paredões gigantes se assomavam a alguns metros de onde eu estava Suas estruturas pareciam me olhar ameaçadoramente de volta Quais formas eram aquelas afinal? Tão retorcidas, tão retesadas Tão aviltadas O vilipêndio do sofrer nos faz cair na escuridão Seres sobrenaturais agem furtivamente nas lacunas destes altos muros Serão tais criaturas fruto de meus pensamentos em pesadelo? Para onde vão todas aquelas tochas Carregadas ao longe por almas sem propósito algum Pois vejo que de uma colina acinzentada se arremessam no abismo do esquecimento E ao fundo de todo o horror Soma-se uma rocha ...