DIAS DE OUTONO
Há um sopro singelo Leve, porém completo de sentidos Levando minhas lembranças Agora como sombras de um passado Não tão distante assim Mas que se encerrou em marcas sobrenaturais sobre meu espírito Como dias de outono Tudo se turva em tons alaranjados Como o cair das folhas Tudo se manifesta em paletas amareladas Com suaves vislumbres de terra A tristeza que me invadia Como um caudaloso rio de lágrimas Cede neste instante Ante às lembranças das horas que nunca existiram A não ser nos desejos de uma realidade onírica que não mais se manifesta Voa alto então O pensamento que se perfaz no pulsar E sob o Sol frio do fim da tarde Um céu rosáceo agora a contemplar Egon Pessoa