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Mostrando postagens de outubro, 2021

DIAS DE OUTONO

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Há um sopro singelo Leve, porém completo de sentidos Levando minhas lembranças Agora como  sombras de um passado Não tão distante assim Mas  que se encerrou em marcas sobrenaturais sobre meu espírito Como dias de outono Tudo se turva em tons alaranjados Como o cair das folhas Tudo se manifesta em paletas amareladas Com suaves vislumbres de terra A tristeza que me invadia Como um caudaloso rio de lágrimas Cede neste instante Ante às lembranças das horas que nunca existiram A não ser nos desejos de uma realidade onírica que não mais se manifesta Voa alto então O pensamento que se perfaz no pulsar E sob o Sol frio do fim da  tarde Um céu rosáceo agora a contemplar Egon Pessoa

A ESCADA

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  Tudo é tão insípido ... tão tênue ... frágil... vazio Realidades que se encontram Num repente se perdem em si ... se perdem de si... E se desmancham como poeira no ar As vagas lembranças e desejos Não passam de meras ilusões Palavras proferidas Numa troca de um pensamento Que não pode vir a tona Graças à ausência do respeito Ah... a ausência A constante presença do único sentimento Que visivelmente nutriu-se da diluição dos sentidos Há um caminho Escuro e tortuoso Conduzindo à um portal fino, frio e abobadado Para além dele... uma escada Solitária em sua ascensão à um ambiente hostil Silhueta de uma torre em penumbra Um som triste é ouvido ao longe Levando consigo o calor do coração Restando apenas um músculo petrificado ... em dor ... em horror Com tudo aquilo que jamais fora realmente sentido A não ser a punição da existência Do alto da escada Surge uma figura voluptuosa De formas curvas Dançando serenamente Dançando suavemente Ao som que faz fenecer qualquer esboço de sorriso ...

ASCENSÃO DA RUÍNA

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Certa vez caminhando por estes campos Avistei mil cores em festa De um povo cuja alma sorriu pra mim Onde estão aqueles pequeninos que corriam aqui? Certa vez, caminhando por esta relva Senti o cheiro doce do amor Saltando dos gestos e cuidados daqueles que me eram caros Mas onde estão todos aqueles olhares de conforto? Tudo está opaco e vazio Construções puídas pelo tempo Após tantos anos de descaso e abandono O que será que foi feito de todo aquele barulho? Que inundava  os corações de quem quer que passasse pelas redondezas Alimentou-se o horror e o ódio E por mais que se gritasse alto para  que cessassem com tamanha insanidade Todos estavam surdos demais Inebriados em seus egos inflados e arrogantes Tomados pela ignorância de uma crença em algo que nunca existiu Agora não há nem fantasmas em tudo aquilo que restou Tudo que fora erigido caiu no esquecimento da tolice Tolice que imperou a ponto de apagar o que havia de humanidade  Devido a sanha cobiçosa, avarenta, egoí...