NÃO HÁ...

 


Não há ser onde impera o nada
O vazio paradoxalmente ocupa algum espaço nessa existência fria

Os sentidos ficam turvos diante do caleidoscópio da alma
Não há... Não sinta... Não respire...

O ilusório se esvai num simples gesto tomado sem pretensão alguma
A vida se revela tortuosa talvez no momento em que se acreditava mais retilínea

Mas insistimos no autoengano... para se precaver do quê?
A questão não são os outros, suas posições e anseios

Mas sim o despertar da consciência de que o eu deve tomar posse de si e perceber suas mutações
Constantes configurações que jamais cessam

O constituir-se do humano é perseverar que mudamos, pois  a estagnação só leva ao caos interno do cosmo que existe em mim
E é aqui a falha do sistema, o dilema causal de nossas enfermidades

Muitos não estão prontos para as disrupções
Outros não fazem ideia de suas existências... possibilidades...

Imersos em seus cotidianos massacrantes que os mantêm no plumo daquilo que é aceitável
A tolerância recai naquilo que não os ofende, caso contrário: guerra!

E assim, seguimos em nossos conflitos... internos... externos... e a irrefreável sensação de que nos perdemos de nós mesmos

Devido às identidades construídas em culturas que sequer poder ser questionadas
Entretanto, qual é o valor de tudo isso?

O que fica?

Ah sim, claro... o vazio... e a parmenídica herança do não há...



Egon Pessoa

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