TÚMULO VAZIO
Estou cercado
Um abismo se interpôs ante os desejos
Todas essas mentiras marcaram minha pele
Não consigo mais sentir o vento
Não existem as estrelas da noite
A Lua está pálida
Eu luto? Mas ergo os braços em vão
A silhueta da lembrança que você criou em mim
Se apaga porque estou avizinhando algo que nunca esteve ali
Estou sendo sugado para o interior da terra
De onde não tenho a menor vontade de sair
Minhas lágrimas molham o chão seco
Mas de nada adianta pois nenhuma vida se manifestará nele
Eu estaria melhor morto
Do que vivendo essa ausência de expressões
O tempo se perdia com seu toque
As dores do mundo eram silenciadas com sua fala
Mas o engano me usurpou a consciência
E não sou mais nada além de um fantasma caminhante por entre árvores de uma floresta silenciosa
Palavras vazias
Encantos de engodo
Estou tão pequeno
Que agora sou esmagado nos passos da decepção
O fio de uma teia
Agora me atravessa como uma onda na praia
Minhas mãos não mais encontram um porto seguro
Porque ninguém mais estará neste enlevo de memória
Alguém, por favor... entregue-me o placebo
Será nesta seara que encontrarei a cura de mim mesmo?
Na linha do horizonte
Onde o céu se faz terra
Repousa a alma do tormento em sua vastidão
Neste reflexo do universo
Onde não existe um centro ou uma margem
Me perco de tudo que me liga ao mundo
... e rumo ao infinito...
Do nada em seu constante zero
Do vazio em seu para sempre fim
Egon Pessoa

Imagem em https://www.spiritfanfiction.com/historia/um-olhar-de-desespero-14204013
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