ÁGUA CORRENTE

 



De olhos cerrados
Há o descanso nos braços de Morpheus
E imagens oníricas tomam conta de mim

Os raios dourados de Hélios afastam o escuro ao meu redor
Sob a contemplação de relvas e ramagens
Deitado ao lado de úmidos seixos

O som borbulhante impera
Causando um torpor em todo ser que o escuta
Dilacerando qualquer tipo de imprecação da alma

Os olhos paulatinamente se abrem
Ocorrendo o vislumbre da cortina espectral
Água e Luz se fundem no esplendor de cores cabalísticas
Misteriosas... Herméticas... Esotéricas...
A visão se completa com o véu aquoso que brota por entre as pedras
E parece cair dos céus
Como uma lágrima de gigantes
Como uma serpente de nossa temporalidade ancestral

Ligando todos num só encantamento
E se desfaz numa nuvem caótica
Que revolve os mais profundos sentimentos e entendimentos
Enterrados no fundo do leito de um rio que se vai ao longe

Para muito além de nossa visão
Para muito além de nossa imaginação

E leva consigo para longe angústias

Os olhos se fecham novamente

...há o aparecimento de um novo alguém...



Egon Pessoa

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