FLOR DO DESERTO

 


As vezes me pego sonhando acordado
Ou não sei mais discernir a fantasia do que é real

Vejo-me embalado por aquelas notas musicais
Será um piano que guia meus passos neste mundo?

Não sei ao certo dizer
Apenas o sentir e o fluir

O misto de sensações
Que me descolam do meu corpo
Rumo ao universo magistral do intangível

O dia é claro
O dia é quente
O dia é fruto da luminosidade do Sol

Mas em meio a toda essa claridade
Me vejo num vasto deserto de areias brancas
Ao infinito

A esterilidade despótica revela-se implacável
Duna após duna
Miragem após miragem

E arrefece em mim
Toda chama da esperança

O vento torna-se ensurdecedor
O calor queima tanto minha pele

Que sinto-me fora de mim
Em meio a esta dor que não se aplaca

E no repente...

O milagre de tempos imemoriais se descortina diante de mim

Revelando a mais bela visão que jamais vi anteriormente

Por entre as montanhas de areias espelhadas de Dumah
Nas pedras do silêncio eterno

Deito o olhar de maneira plácida naquilo que trouxe paz ao meu tormento

Revela-se a Flor do Deserto

No esplendor de sua existência
Deito o que restou de mim
Ao lado de suas pétalas sagradas

E compreendo que não mais levantar-me-ei daqui

Pois fui nutrido nesta contemplação
Para todo sempre dormir o sono nos campos etéreos de Ialu

Levando para o céu noturno, em meio às estrelas
A lembrança daquela flor...

Egon Pessoa

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