FLOR DO DESERTO
As vezes me pego sonhando acordado
Ou não sei mais discernir a fantasia do que é real
Vejo-me embalado por aquelas notas musicais
Será um piano que guia meus passos neste mundo?
Não sei ao certo dizer
Apenas o sentir e o fluir
O misto de sensações
Que me descolam do meu corpo
Rumo ao universo magistral do intangível
O dia é claro
O dia é quente
O dia é fruto da luminosidade do Sol
Mas em meio a toda essa claridade
Me vejo num vasto deserto de areias brancas
Ao infinito
A esterilidade despótica revela-se implacável
Duna após duna
Miragem após miragem
E arrefece em mim
Toda chama da esperança
O vento torna-se ensurdecedor
O calor queima tanto minha pele
Que sinto-me fora de mim
Em meio a esta dor que não se aplaca
E no repente...
O milagre de tempos imemoriais se descortina diante de mim
Revelando a mais bela visão que jamais vi anteriormente
Por entre as montanhas de areias espelhadas de Dumah
Nas pedras do silêncio eterno
Deito o olhar de maneira plácida naquilo que trouxe paz ao meu tormento
Revela-se a Flor do Deserto
No esplendor de sua existência
Deito o que restou de mim
Ao lado de suas pétalas sagradas
E compreendo que não mais levantar-me-ei daqui
Pois fui nutrido nesta contemplação
Para todo sempre dormir o sono nos campos etéreos de Ialu
Levando para o céu noturno, em meio às estrelas
A lembrança daquela flor...
Egon Pessoa

Emocionante 😍.
ResponderExcluirPara além do especial
ExcluirO que seria de nós se não fosse os sonhos?
ResponderExcluirHá muito para se pensar não é verdade?! ;)
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